Espetáculos Atuais

"Nóis ganha poco mais nóis si diverti"- Baixar o Programa do Espetáculo (em PDF)







“Eu sempre gostei de samba. Sou um sambista nato e pouco me importa se custaram a me aceitar assim. Implicavam com as minhas letras, com os nóis fumo, nóis vamu, nóis semu etc. etc. O que eu escrevo está lá direitinho no Bexiga . Lá é engraçado o crioulo e o italiano falam igualzinho (...) Falar errado é uma arte, senão vira deboche (...) Pra escrever uma boa letra de samba, a gente tem que ser, em primeiro lugar, anarfabeto".

            Assim era – e dizia – João Rubinato ou como é mais conhecido Adoniran Barbosa. Ator, comediante, compositor, cantor, ex-pedreiro, ex-garagista, ex-mascate, ex-encanador, ex-garçom, ex tanta coisa, e uma das expressões mais brilhantes do samba paulistano. Entre outras honrarias, merecida e reconhecidamente o “Poeta do Bixiga”. Poeta paulistano! Aquele que cantou e contou sobre uma cidade e toda gente simples – que já vão longe! Um tempo imortalizado nos seus versos de amor, de desculpas, de solidariedade, de saudades, de dor,  enfim... em toda prova de carinho.

O maestro Júlio Medaglia é conclusivo com relação a importância e significado de Barbosinha para um território como São Paulo:  "Dostoievski dizia que a melhor maneira de ser universal é narrar bem a sua aldeia. E ninguém melhor que Adoniran narrou a aldeia paulista".

Mas ele foi além. Quebrou fronteiras, diminuiu as distancias. Adoniran Barbosa colocou na boca de todo  Brasil o samba paulistano. Não há ninguém que não conheça pelo menos um dos seus sucessos. Sua obra é  presença obrigatória, em toda roda de samba de “responsa”  no mundo inteiro.

O Coro Cênico BossaNossa, somando-se às homenagens do  centenário de um dos maiores representantes do samba de São Paulo,  montou o espetáculo Nóis ganha poco, mais nóis si diverti, um divertido passeio musical-cênico pelas criações memoráveis do homem que foi o  grande amor de Matilde.

            Nóis ganha poco, mais nóis si diverti, festeja o senhor Paulelli com  o Samba do Arnesto, passa pela Praça da Sé, cai no Samba Italiano, observa As Mariposa, vai  No Morro da Casa Verde, dá um Tiro ao Álvaro, lamenta-se pela Saudosa Maloca e segue o Trem das Onze e outras obras inesquecíveis.

            O espetáculo esta emoldurado em um programa radiofônico de estúdio. Uma singela homenagem também  ao rádio e aos homens que o dignificam.

Magno Bucci

Odônio dos Anjos

Músicas:

Samba do Arnesto
Praça da Sé
Samba Italiano
Vila Esperança
As Mariposa
Saudosa Maloca
No Morro da Casa Verde
Tiro ao Álvaro
Iracema
Trem das Onze 

O Boi Caipira    


Músicas

A Chegança (Canção)
Reza a Lenda - Abertura (Canção)
Lundu Caipira (Canção)
Amor audaz (Canção)
Despedida (Canção)
Elogio ao Boi(Canção)
Saudade (Canção)
Desejo (Canção)
Catirina Minha Sina (Canção)
A Caçada (Canção)
O dono do Boi(Canção)
Rascunho do Mapa do Inferno (Canção)
A Reza (Canção)
O Boi Caipira (Canção

Todas as músicas de autoria de Márcio Coelho
 O Boi-Caipira

Partindo da pesquisa das várias manifestações do boi como o boi-bumbá, bumba-meu-boi, boi-de-mamão, boizinho, boi-de-reis, boi-surubi, boi-de-jacá, rei-de-boi e boi-pintadinho, entre outras, e ciente de que "festas de boi sempre existiram em vários outros países (...) quer de origem religiosa, quer de origem pastoril, desde o boi Ápis, a vaca Ísis, o touro Mnéris, o boi Geroa, o boi de São Marcos ao touro Guaque ou Huaco", propomos a criação, a partir de laboratórios, de um espetáculo musical (O Boi-caipira), familiarizado com a cultura do interior de São Paulo como forma de aproximação dos participantes às práticas culturais não difundidas pela mídia.
Esta adaptação livre do boi-bumbá insere-o dentro do universo canavieiro (Região de Ribeirão Preto: Batatais, Sertãozinho, Serrana, Cravinhos, etc.), onde um retirante nordestino que veio trabalhar na colheita da cana apaixona-se pela bóia-fria Catirina e, em seguida, abandona-a, abrindo, dessa maneira, o caminho para Pai Francisco tentar se aproximar daquela por quem sempre fora apaixonado. A partir da criação de um "libreto" original para o auto do Boi-caipira, foram criadas as canções e os arranjos cujo conteúdo descreverá a saga dos personagens do drama.


500 e tantas histórias    


Músicas

Popule Meus – Pe José Maurício Nunes Garcia (1740-1806)
Circuladô de Fulô – Caetano Veloso e Haroldo de Campos
Parabolicamará – Gilberto Gil
Pela Internet – Gilberto Gil
Oceano – Djavan
Futuros Amantes – Chico Buarque
Assum Branco – José Miguel Wisnik
Depois que o Ilê Passar – Miltão
Tiro de Misericórdia – João Bosco e Aldir Blanc
Lamento de Carnaval – Gilberto Gil
Aquarela do Brasil – Ary Barroso
América Iorubá – Márcio Coelho
Etnia Caduca – Lenine
Frevo Diabo – Edu Lobo e Chico Buarque

Duração do espetáculo: 1 hora e 15 minutos.
500 e tantas histórias...

O atual espetáculo nasceu da idéia de saudar a "maioridade" brasileira: nossos 500 anos! A intenção foi buscar fragmentos de uma arte-Brasil que expressasse a sonoridade desse país de muitas bandeiras, "arlequinal", multifacetado, sincrético, polifônico, antropofágico, colonial, pós-moderno, trash, sem qualquer preocupação em ilustrar ou buscar uma cronologia histórica, nem oferecer um pout- pouri de ritmos. Nesse sentido, o repertório e a concepção do espetáculo criam um rito de passagem peculiar para festejar a transição, numa montagem que determinou um único sujeito: o NÓS! Identificando esse "sujeito" como sendo a legião de -no jargão popular- "heróis anônimos". Não só porque nossa identidade tem bases na miscigenação, no multi-culturalismo, mas também e principalmente porque o olhar através da música e da cena é o olhar plural, de um NÓS específico. E, privilegiando esse ponto de vista, o espetáculo revê, de maneira particular, as invasões/influências sofridas por nossa terra e a dizimação de seus primeiros habitantes, aponta os traços de um país
em parte ainda "bucólico", estampa perplexidade diante da violência urbana, não teme revelar sua indignação diante de um poder público corroído, visita a mitologia tupiniquim... "500 e tantas hstórias..." percorre os caminhos de uma estética popular, onde a cena reflui nossas festas, folguedos e folclore como também nosso cotidiano prismático. Os arranjos foram elaborados para coro a capella, acrescidos de uma trilha sonora elaborada em computador, conduzem o desenvolvimento do espetáculo. A trilha - colagem, que se sobrepõe aos arranjos corais, foi construída segundo a "estética do arrastão", onde toda a sinfonia cotidiana do lixo civilizado, é matéria prima para construção de contrapontos, harmonias e ritmos. A expressão plástica, da qual o espetáculo se apropria, revela pujança tanto no "estático" da simples projeção de slide, quanto no dinamismo provocado pela interferência do movimento do corpo, que altera a imagem projetada.
Com a montagem de "500 e tantas histórias...", o Bossa Nossa confirma definitivamente sua identidade de coro-cênico e investe com vigor em sua natureza experimental.


Canções do Brasil    
Canções do Brasil

O espetáculo "Canções do Brasil", dentro da esteira da tradição criativa de nossos maiores grupos vocais tais como, os Cariocas, MPB4, Quarteto em Cy, Boca Livre, Garganta Profunda, Céu da Boca e tantos outros, é um conjunto de grandes canções brasileiras arranjadas para coro misto com acompanhamento de piano, violão, baixo e percussão, compromissado com o processo da diversão, onde o público, com atos de escolha em meio a ambigüidade do discurso musical, critica e se informa, prevê e conclui, deduz e põe em dúvida, reproduz e produz os prazeres da percepção. O grupo ambiciona criar situações de uso e proporcionar oportunidades de exercício da diversão. O melhor a fazer, para além do discurso sobre, é ouvir o Bossa Nossa, conhecer mais um trabalho imperdível, de paixão e reflexão, rigor e delírio.